Pular para o conteúdo principal

Carolina Maria de Jesus




             Nos versos de seus poemas e poesias Carolina Maria de Jesus evidenciava suas condições sociais. As narrativas de seus livros trazem sua realidade enquanto moradora de periferia e catadora de papel.

            A escritora nasceu em 14 de março de 1914 em Sacramento, Minas Gerais. Enquanto filha de pais analfabetos, Carolina cresceu na zona rural e chegou a frequentar a escola a partir dos sete anos de idade. Seu ingresso na escola Allan Kardec se deu a partir do seu sustento pela Sra. Maria Leite Monteiro de Barros, mulher para quem sua mãe prestava serviços domésticos. Com a morte desta, em 1937, a autora mudou-se para São Paulo, e aos 33 anos foi para a favela do Canindé, onde residiu com seus três filhos durante um tempo.
            Catadora de papel e materiais recicláveis, Carolina registrava seu cotidiano em cadernos que encontrava, e possuía o hábito de ler tudo que chegava a ela, e foi assim que escreveu seu primeiro livro: Quarto de despejo – diário de uma favelada, publicado em 1960.
            Na década de 1950, durante um momento de revolta da escritora contra algumas pessoas que destruíam brinquedos destinados a crianças na praça, ela chamou a atenção do jornalista Audálio Dantas que presenciou a cena. Após iniciarem uma conversa Audálio percebeu os inúmeros livros que Carolina carregava e que traziam seus escritos. A partir de sua primeira publicação, com a influência do jornalista, na década de 1960, vieram outras como Casa de Alvenaria, publicado em 1961, Pedaços de Fome (1936), Provérbios (1936).
            Em 13 de fevereiro de 1977, quase esquecida pelo público leitor, Carolina Maria de Jesus faleceu em um sítio em São Paulo, deixando suas publicações que evidenciam e denunciam o preconceito e as vivências de uma mulher preta e moradora de periferia.

Texto e imagem por: Rafaela Guimarães 
Revisão e postagem por: Débora Sara 
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CAROLINA Maria de Jesus. Literafro: o portal da literatura afro-brasileira. 05 nov. 2021. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/58-carolina-maria-de-jesus. Acesso em: 04 jan. 2022.
JESUS, Carolina Maria de. Antologia pessoal. MEIHY, José Carlos Sebe Bom (org.). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.
MARASCIULO, Marilia. Quem foi Carolina Maria de Jesus, que completaria 105 anos em março. Galileu, 29 mar. 2019. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/03/quem-foi-carolina-maria-de-jesus-que-completaria-105-anos-em-marco.html. Acesso em: 04 jan. 2022.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A ALDEIA PATAXÓ MUÃ MIMATXI

  O povo Pataxó (Pataxoop), é um dos povos indígenas mais famosos do Brasil, principalmente pelo fato de serem conhecidos como um dos primeiros grupos a terem contato com os portugueses que aqui chegaram no começo do século XVI. Historicamente, todo o povo Pataxó se concentrava no extremo sul da Bahia, mas após o episódio conhecido como “Fogo de 51”, onde houve um massacre na aldeia matriz Pataxó de Barra Velha, localizada perto de Porto Seguro-BA, houve uma diáspora do povo Pataxó, onde parte migrou para outras regiões da Bahia e também para Minas Gerais. Foi através deste contexto onde surgiu a aldeia indígena “Muâ Mimatxi”, localizada em Itapecerica-MG. Esta tribo surgiu a partir da difusão de uma aldeia indígena Pataxó localizada em Carmésia-MG, onde após essa difusão, parte desta tribo foi assentada em um território próximo a Lamounier (distrito de Itapecerica) no ano de 2006, este espaço foi concedido por mediação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Atualmente, vivem c...

História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

                 A História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está intimamente ligada à história do Reinado e à história da população negra divinopolitana.                Construída na década de 1850 por e para escravizados, a igreja tinha como principal objetivo ser um local em que os cativos pudessem professar seus credos e crenças e celebrar a festa do Reinado. Fruto da intolerância religiosa e do racismo do século XIX, a igreja se tornou um símbolo da resistência dos escravizados divinopolitanos e de seus descendentes, bem como o principal ponto de encontro e festejo da festividade.                Sua construção está ligada à influência do então vigário da cidade, o padre Guaritá. Conforme aponta Corgozinho (2003), insatisfeito com o fato de os escravizados dançarem na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo enquanto celebravam...

A HISTÓRIA DE MINAS EM MAPAS

  A história de Minas Gerais já está bem consolidada na sociedade brasileira e principalmente entre os mineiros, períodos históricos como o ciclo do ouro fazem parte de capítulos de livros didáticos, artigos, produções audiovisuais etc. Mas algo que passa despercebido diante dessa história tão vasta são os mapas que representavam o território de Minas Gerais nessas épocas. Quando olhamos o mapa de Minas e nos deparamos com uma grande porção de terra anexado a um “nariz” a oeste, temos a impressão que desde o período colonial já era um território bem consolidado devido a geografia de suas fronteiras territoriais naturais. Fato é que a representação de Minas em mapas sofreu diversas mudanças ao longo dos anos, sempre como um reflexo político e econômico de Minas Gerais ao longo dos séculos. Nos séculos XVI e XVII, não houve nenhum mapa destacando o território onde hoje conhecemos como Minas Gerais, pelo fato do eixo econômico e demográfico do Brasil estar concentrado no litoral, a...