Pular para o conteúdo principal

Resenha - O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras (bell hooks)

 

bell hooks

    Sobre a autora: Nascida em 1952 e tendo falecido recentemente em 15 de dezembro de 2021 bell hooks é pseudônimo de Gloria Jean Watkins que escolheu esse alter ego em homenagem a sua bisavó materna buscando imprimir em suas obras o legado das mulheres fortes de sua família. Ela foi uma autora, professora, teórica feminista, artista e ativista antirracista estadunidense que ao longo de sua vida escreveu diversos livros que se tornaram referencia para a teoria feminista, principalmente trabalhando com a interseccionalidade de raça, gênero e classe.

    O livro da autora que será tratado nessa resenha será “O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras”. Escolhemos esse livro pela sua linguagem clara e por tratar de temáticas tão importantes de forma abrangente e explicativa. O livro é dividido em vários pequenos capítulos em que cada um trata de tópicos diferentes, mas que vão se completando ao longo da leitura. Alguns dos temas tratados são afetividade, direitos reprodutivos, violências, masculinidades, corpo, sexualidade, sororidade e educação.

    Como esses diversos tópicos apresentados hooks apresenta a dificuldade em se tratar de um feminismo mais inclusivo onde seja construído pensando não apenas na mulher branca, mas também que consiga abranger a mulher negra, a mulher pobre e a mulher lesbica. Mostrando assim, segundo a autora, que não será suficiente acabar com a opressão a mulher se não for pensada também na opressão sofrida por outros grupos sociais.

    Alguns dos temas muito decorrentes nos debates feministas atuais são tratados no livro, visto que ele foi lançado em 2000 pela primeira vez podemos perceber que avanços foram feitos, mas muitos ainda precisam acontecer já que tanto presente no livro ainda faz parte do nosso cotidiano. Podemos perceber isso principalmente na conjuntura atual do nosso país aonde mulheres continuam a sofrer violências diariamente tanto em suas casas quanto nas ruas.

    Acredito que esse livro seja recomendado para todas as pessoas pois ele consegue apresentar de forma clara e explicita diversos conceitos presentes na teoria feminista caso o sujeito esteja iniciando sua jornada por esse conhecimento. Como também a obra consegue conversar com sujeitos mais conhecedores do assunto pela forma sentimental e subjetiva que muitas vezes hooks apresenta em sua escrita. Dessa forma bell hooks consegue no cativar e auxiliar no processo de construção de feministas, visto que para ela feministas não nascem feministas, mas se tornam ao longo de suas vivências.

Texto e imagens por: Millena Rezende 

Revisão e postagem por: Débora Sara  










 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A ALDEIA PATAXÓ MUÃ MIMATXI

  O povo Pataxó (Pataxoop), é um dos povos indígenas mais famosos do Brasil, principalmente pelo fato de serem conhecidos como um dos primeiros grupos a terem contato com os portugueses que aqui chegaram no começo do século XVI. Historicamente, todo o povo Pataxó se concentrava no extremo sul da Bahia, mas após o episódio conhecido como “Fogo de 51”, onde houve um massacre na aldeia matriz Pataxó de Barra Velha, localizada perto de Porto Seguro-BA, houve uma diáspora do povo Pataxó, onde parte migrou para outras regiões da Bahia e também para Minas Gerais. Foi através deste contexto onde surgiu a aldeia indígena “Muâ Mimatxi”, localizada em Itapecerica-MG. Esta tribo surgiu a partir da difusão de uma aldeia indígena Pataxó localizada em Carmésia-MG, onde após essa difusão, parte desta tribo foi assentada em um território próximo a Lamounier (distrito de Itapecerica) no ano de 2006, este espaço foi concedido por mediação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Atualmente, vivem c...

História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

                 A História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está intimamente ligada à história do Reinado e à história da população negra divinopolitana.                Construída na década de 1850 por e para escravizados, a igreja tinha como principal objetivo ser um local em que os cativos pudessem professar seus credos e crenças e celebrar a festa do Reinado. Fruto da intolerância religiosa e do racismo do século XIX, a igreja se tornou um símbolo da resistência dos escravizados divinopolitanos e de seus descendentes, bem como o principal ponto de encontro e festejo da festividade.                Sua construção está ligada à influência do então vigário da cidade, o padre Guaritá. Conforme aponta Corgozinho (2003), insatisfeito com o fato de os escravizados dançarem na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo enquanto celebravam...

A HISTÓRIA DE MINAS EM MAPAS

  A história de Minas Gerais já está bem consolidada na sociedade brasileira e principalmente entre os mineiros, períodos históricos como o ciclo do ouro fazem parte de capítulos de livros didáticos, artigos, produções audiovisuais etc. Mas algo que passa despercebido diante dessa história tão vasta são os mapas que representavam o território de Minas Gerais nessas épocas. Quando olhamos o mapa de Minas e nos deparamos com uma grande porção de terra anexado a um “nariz” a oeste, temos a impressão que desde o período colonial já era um território bem consolidado devido a geografia de suas fronteiras territoriais naturais. Fato é que a representação de Minas em mapas sofreu diversas mudanças ao longo dos anos, sempre como um reflexo político e econômico de Minas Gerais ao longo dos séculos. Nos séculos XVI e XVII, não houve nenhum mapa destacando o território onde hoje conhecemos como Minas Gerais, pelo fato do eixo econômico e demográfico do Brasil estar concentrado no litoral, a...