Pular para o conteúdo principal

Feminismo no Brasil

 


O movimento feminista teve início no brasil devido a influência internacional com o movimento sufragista. Esse estruturava-se na possibilidade de participação no sistema democrático, com o direito ao voto e contou com inúmeras mulheres envolvidas também, com as lutas operárias. Entretanto, esse movimento ainda era visto como uma fase do feminismo “bem comportado” e a opressão a mulher ainda não era questionada. Na segunda fase do movimento; mulheres intelectuais, anarquistas e lideres operarias iniciaram debates sobre a opressão masculina e sexualidade.

O movimento feminista de forma organizada surgiu na década de 1960 nos Estados Unidos influenciando vários países do ocidente com essa vertente de pensamento. No Brasil, essa influência chegou principalmente devido à modernização estrutural que estava ocorrendo no país. Entretanto outro fator teve mais influência na formação desse movimento no Brasil: a ditadura militar.

Na década de 1970, chamava-se Movimento Das Mulheres. Esse estava interligado a vários outros movimentos que ocorriam na época contra a sociedade opressiva perpassa. As mulheres se tornam parte essencial dentro das organizações civis e dos partidos políticos opositores. Sendo essa uma forma de empoderamento, iniciando um processo de representatividade feminina em grandes posições e fomentando um debate sobre o papel da mulher na sociedade.

Apesar das mobilizações na década de 1970, foram iniciadas em sua grande maioria, nas camadas médias urbanas e apresentava-se excludentes. Visto que não se levava em consideração as diversas interseccionalidade presentes no Brasil. Consolidou-se como movimento interclasse no final da década, após um período de expansão aliado as camadas populares. O movimento feminista também se mostrou presente dentro das universidades, visto que muitas mulheres tinham contato com os estudos feministas acadêmicos, contribuindo para fortalecer e teorizar sobre o movimento no território nacional.

Outro marco importante, também na década de 1970, foi a participação das mulheres nas lutas armadas sendo assim, uma grande transgressão do estereótipo feminino de mulher frágil e calma. Além disso nesse mesmo período, surgiram os debates em relação a violência da mulher no âmbito doméstico. Mulheres lutavam nas ruas por uma melhora na sociedade, mas não encontravam uma mudança de opressão patriarcal dentro de suas casas.

Em 1979 com a Lei da Anistia, muitas exiladas voltam para fortalecer o movimento com seus reflexões e aprendizados no exterior, tanto sobre o movimento como as diferentes formas do papel da mulher na sociedade, principalmente na Europa. Durante a década de 1980 com a redemocratização o movimento se une aos outros movimentos sociais dessa forma ganhando mais adesão nas camadas populares.

Em 1984 é criado o Conselho Nacional da Condição da Mulher que inclui os direitos femininos na carta constitucional. Assim diversos debates surgiram sobre as demandas femininas fazendo com que direitos fossem consolidados na constituição de 1988.

Entretanto mesmo com vários direitos garantidos as mulheres ainda tinham diversas demandas a serem debatidas, exemplo disso a violência doméstica. Esse foi um tema de grande debate ao longo da década de 1990 se encontrando solução jurídica apenas em 2006 com a criação da Lei Maria da Penha. Mas deve se ter em mente que mesmo com essa lei muitas mulheres ainda sofrem com a opressão masculina dentro no ambiente familiar.

Tento em vista a trajetória do movimento feminista no Brasil e suas influências externas, pode-se notar vitórias significativas nas últimas 60 décadas. Entretanto no último boletim (2019) disponibilizado pela Secretaria de Segurança de Minas Gerais, aproximadamente 150.674 mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar, em Divinópolis essas denúncias chegaram a 1.496 casos.

Esses números demonstram que a luta está muito longe do fim, as situações de opressão e violência ainda são uma variável muito presente no cotidiano das brasileiras. Sendo assim, é importante consolidar o movimento ainda mais e promover redes de apoio e segurança para que as vítimas consigam realizar as denúncias de forma segura e efetiva.

O movimento é de suma importância para a emancipação feminina dos sistemas opressivos e patriarcais que ainda estruturam nossa sociedade. A luta é crescente e muito necessária, visto que milhares ainda são vítimas da violência simbólica e física dentro do Brasil.

Texto por: Millena Rezende E Andressa Boim

Revisão e postagem por: Débora Sara de Andrade Mota 

Referencias:

ALVES, Ana Carla Farias. ALVES, Ana Karina da Silva. AS TRAJETÓRIAS E LUTAS DO MOVIMENTO FEMINISTA NO BRASIL E O PROTAGONISMO SOCIAL DAS MULHERES. IV Seminário CETROS Neodesenvolvimentismo, Trabalho e Questão Social. Fortaleza, maio de 2013.

Mariza Corrêa. Do feminismo aos estudos de gênero no Brasil: um exemplo pessoal. DOSSIÊ: FEMINISMO EM QUESTÃO, QUESTÕES DO FEMINISMO. Cadernos pagu: (16). 2001: pp.13-30.

SARTI, Cynthia Andersen. Feminismo no Brasil: Uma trajetória particular. Cad. Pesq., São Paulo, p. 38-47, fev,1988.

SARTI, Cynthia Andersen. O feminismo brasileiro anos 1970: revisitando uma trajetória. Estudos Feministas, Florianópolis, 12(2): 264, maio-agosto/2004

SECRETÁRIA de Segurança. Diagnósticos semestrais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Minas Gerais. Minas Gerais, 2017 à 2019.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A ALDEIA PATAXÓ MUÃ MIMATXI

  O povo Pataxó (Pataxoop), é um dos povos indígenas mais famosos do Brasil, principalmente pelo fato de serem conhecidos como um dos primeiros grupos a terem contato com os portugueses que aqui chegaram no começo do século XVI. Historicamente, todo o povo Pataxó se concentrava no extremo sul da Bahia, mas após o episódio conhecido como “Fogo de 51”, onde houve um massacre na aldeia matriz Pataxó de Barra Velha, localizada perto de Porto Seguro-BA, houve uma diáspora do povo Pataxó, onde parte migrou para outras regiões da Bahia e também para Minas Gerais. Foi através deste contexto onde surgiu a aldeia indígena “Muâ Mimatxi”, localizada em Itapecerica-MG. Esta tribo surgiu a partir da difusão de uma aldeia indígena Pataxó localizada em Carmésia-MG, onde após essa difusão, parte desta tribo foi assentada em um território próximo a Lamounier (distrito de Itapecerica) no ano de 2006, este espaço foi concedido por mediação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Atualmente, vivem c...

História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

                 A História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está intimamente ligada à história do Reinado e à história da população negra divinopolitana.                Construída na década de 1850 por e para escravizados, a igreja tinha como principal objetivo ser um local em que os cativos pudessem professar seus credos e crenças e celebrar a festa do Reinado. Fruto da intolerância religiosa e do racismo do século XIX, a igreja se tornou um símbolo da resistência dos escravizados divinopolitanos e de seus descendentes, bem como o principal ponto de encontro e festejo da festividade.                Sua construção está ligada à influência do então vigário da cidade, o padre Guaritá. Conforme aponta Corgozinho (2003), insatisfeito com o fato de os escravizados dançarem na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo enquanto celebravam...

A HISTÓRIA DE MINAS EM MAPAS

  A história de Minas Gerais já está bem consolidada na sociedade brasileira e principalmente entre os mineiros, períodos históricos como o ciclo do ouro fazem parte de capítulos de livros didáticos, artigos, produções audiovisuais etc. Mas algo que passa despercebido diante dessa história tão vasta são os mapas que representavam o território de Minas Gerais nessas épocas. Quando olhamos o mapa de Minas e nos deparamos com uma grande porção de terra anexado a um “nariz” a oeste, temos a impressão que desde o período colonial já era um território bem consolidado devido a geografia de suas fronteiras territoriais naturais. Fato é que a representação de Minas em mapas sofreu diversas mudanças ao longo dos anos, sempre como um reflexo político e econômico de Minas Gerais ao longo dos séculos. Nos séculos XVI e XVII, não houve nenhum mapa destacando o território onde hoje conhecemos como Minas Gerais, pelo fato do eixo econômico e demográfico do Brasil estar concentrado no litoral, a...