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A HISTÓRIA GERAL DO FUTEBOL NO BRASIL

 


Charles Miller foi um estudante paulista responsável por trazer para o Brasil a prática do futebol em 1895, no final do século XIX, durante a Primeira República. Após viajar para estudar na Europa, Charles aprende um esporte já obrigatório desde a década de 40 no ambiente escolar. O futebol ficou restrito apenas à elite de São Paulo e com o passar do tempo, foram surgindo os primeiros times oficiais e o esporte foi se alastrando pelo país com uma característica única: era uma diversão para homens brancos e ricos.




Porém, por se tratar de um jogo com regras fáceis e sem necessidade de equipamentos sofisticados, a classe popular logo encontrou seu meio para participar do futebol. Uma tentativa conservadora de frear a participação de pobres e negros foi profissionalizar o futebol em 1933, para que os clubes pudessem decretar normas, contratos e empregar quem desejassem, velando os preconceitos e discriminações vigentes. O Brasil desejava exportar uma imagem diferente da sua sociedade. Queria mostrar uma nação branca e desenvolvida, sem a presença do atraso que era considerados os negros e mulatos. Por muitas décadas, os times criados não aceitavam a sua participação em campeonatos. Como relata João Máximo em Memórias do Futebol Brasileiro: ‘’Em 1921, por exemplo, ninguém menos que o presidente da República, Epitácio Pessoa, recomendou que não se incluíssem mulatos na seleção brasileira que iria a Buenos Aires para o Campeonato Sul-Americano. ‘’.

 

A paixão pelo esporte no Brasil pelas pessoas já era enorme, o que possibilitou que os políticos o vissem como um mecanismo para reforçar seu poder. Futebol e política andam de mãos dadas desde sempre.  É nesse aspecto que muitos chamam o esporte de o ‘’ópio do povo’’. Por ser um fator de entretenimento, pode ser usado facilmente como uma distração dos problemas emergenciais que um país enfrenta e disseminar mentalidades partidárias. Contudo, o futebol também é um lugar de voz e movimentos sociais. Machismo, racismo, homofobia e diversos outros temas pautados em tabus e estereótipos, ficam cada vez mais fortes dentro do campo. Os próprios jogadores se manifestam e levam as discussões para a casa de milhares de brasileiros através das redes sociais, o rádio e a televisão.

O futebol é muito mais que amontoados de indivíduos correndo atrás de uma bola. É cercado de paixão, entusiasmo e felicidade que unes as pessoas. Seu fator social é imprescindível para a cultura popular brasileira, demonstra o sentimento de identidade ao cantar de torcidas. Palco de lutas pessoais e coletivas, o esporte se apresenta como uma fonte de esperança para muitos. Utilizado pela política por sua forte influência e permanência na vida cotidiana dos brasileiros, o futebol também executa o papel contrário do esperado pela classe dominante. Ele é popular, é inquietante e um lugar onde opiniões e discursos contra uma tradição podem e são feitos.

 

RECOMENDAÇÃO DE VÍDEO SOBRE A HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL:

·        O futebol como elemento social | EP #05 | Canal Humanamente: https://www.youtube.com/watch?v=I4jfvD8tJ7c&ab_channel=DESTRAVAENEM%E2%80%A2BRUNOALVES

 

REFERÊNCIAS:

CARLOS, Waldenir. O futebol no país do futebol. Lua Nova: Revista de Cultura e Política. Lua Nova vol.3 no.2 São Paulo Dec. 1986.

MÁXIMO, João. Memórias do futebol brasileiro. Estudos Avançados. Estud. av. vol.13 no.37 São Paulo Sept./Dec. 1999. S

OUZA, Eliana Dores. Futebol – Paixão, Produto ou Identidade Cultural. Centro de Estudos LatinoAmericanos sobre Cultura e Comunicação, USP. 2013




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