Havia um decreto no Brasil que impossibilitava a mulher de jogar futebol em 1941, com a justificativa de que a sua natureza a impedia de praticar esportes que ferissem a condição feminina de um ser delicado, passivo e desprovido de vontades próprias. A mulher nunca aceitou tal imposição e sempre enfrentou esse sistema machista que buscava a idealizar. O futebol sempre esteve presente na vida feminina, apesar do homem o mascarar e repreender esse comportamento. Uma prova histórica dessa tentativa, é perceber que até hoje o futebol feminino é desvalorizado e escasso em patrocínio quando comparado ao valor dado para os homens.
O futebol feminino foi regulamentado apenas em 1983 através da ação das jogadoras que não desistiram de praticar o esporte que amavam e a primeira seleção feminina brasileira entra em campo no ano de 1986! Pode-se notar que é uma modalidade completamente nova, que não possui nem quarenta anos de legalização.
A mulher sempre trilhou um percurso árduo na história para conseguir espaço na sociedade. Seja para obter direitos civis, pela igualdade e até mesmo para jogar futebol, o sexo feminino encontra barreiras sociais criadas pelos homens que buscam a deslegitimar. A luta é recente e está sendo vencida aos poucos, mas ainda se tem um grande caminho para percorrer.
Em 2019, mais uma vitória foi conquistada! Com a atualização do Licenciamento de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol, os times da séria A do Campeonato Brasileiro são obrigados a manterem um time feminino adulto e de base. Atualmente, pode-se notar times femininos regionais e mineiros destinados para as mulheres. Atlético, Cruzeiro e América, os mais famosos clubes de Minas Gerais, já possuem um elenco bem estruturado que disputa as competições estaduais!
O
futebol é apenas uma pequena parcela das conquistas que as mulheres buscam no
século XXI, mas ainda está longe de acabar devido a falta de apoio de uma
sociedade que ainda acredita que lugar da mulher em casa. É hora de dizer:
Basta! Realmente, lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive no futebol!
‘’Estou totalmente comprometida em trabalhar com a ONU
Mulheres para garantir que mulheres e meninas em todo o mundo tenham as mesmas
oportunidades que homens e meninos têm para realizar seu potencial e eu sei, da
minha experiência de vida, que o esporte é uma ferramenta fantástica para o
empoderamento. Em todo o mundo, hoje, as mulheres estão demonstrando que podem
ter sucesso em papéis e posições anteriormente mantidas para os homens. A
participação das mulheres no esporte e na atividade física não é exceção. Por
meio do esporte, mulheres e meninas podem desafiar normas socioculturais e
estereótipos de gênero e aumentar sua autoestima, desenvolver habilidades de
vida e liderança; elas podem melhorar sua saúde e posse e compreensão de seus
corpos; tomar consciência do que é violência e como evitá-la, procurar serviços
disponíveis e desenvolver habilidades econômicas.” – Marta Vieira da Silva, jogadora de futebol brasileira e
embaixadora da ONU Mulheres.
Texto por: Rafaela Teixeira
REFERÊNCIAS:
GARCIA, Maria Fernanda. Até
1983, as mulheres eram proibidas por lei de jogar futebol no Brasil. Observatório
do Terceiro Setor, 2020. Disponível em:
https://observatorio3setor.org.br/noticias/ate-1983-as-mulheres-eram-proibidas-por-lei-de-jogar-futebol-no-brasil/.
Acesso em: 03 de março de 2021.
ALVES, Camila. Montar
time feminino é exigência para equipes da Série A 2019; veja situação dos
clubes. GE Futebol, 2019. Disponível em:
https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/montar-time-feminino-e-exigencia-para-equipes-da-serie-a-2019-veja-situacao-dos-clubes.ghtml.
Acesso em: 04 de março de 2021.
TRANCOZO, Miguel. ONU
Mulheres anuncia Marta Vieira da Silva como embaixadora global da Boa Vontade.
ONU MULHERES BRASIL, 2018. Disponível em:
http://www.onumulheres.org.br/noticias/onu-mulheres-anuncia-marta-vieira-da-silva-como-embaixadora-da-boa-vontade/.
Acesso em: 05 de março de 2021.

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