Pular para o conteúdo principal

Geraldo Teles de Oliveira – O ESCULTOR GTO

 

Nascido em Itapecerica em 1913 e proveniente de uma família humilde, Geraldo Teles de Oliveira foi trabalhador rural, fundidor e guarda noturno de um hospital em Divinópolis/MG. Em 1965, já residia na cidade de Divinópolis e apesar de não ter qualquer experiência artística, começa a esculpir em toras de madeira após uma série de visões que o afligiam. Assim, tomou como uma ordem sobrenatural após se ver esculpindo em um desses sonhos.


Encontra-se semelhanças do seu trabalho com a escultura negra africana e desde o início, assinava suas obras com as iniciais GTO. Segundo a crítica de arte Lélia Coelho Frota em Homem: templo no centro de si mesmo, na roda-viva de G. T. O. diz que:

GTO confere a seu trabalho essa perspectiva singular, que é, ao mesmo tempo, a fé no ofício e na própria capacidade de criar formas ´belas´ que refletem o espanto ante o mundo em que vive. Nas suas esculturas ele aborda temas variados: as danças, as festas religiosas e toda a sabanda da vida do interior de Minas, além de alegorias sobre acontecimentos e vultos de que ouviu falar e sobre um grande mito: a máquina. É o próprio escultor quem afirma que suas peças são ´o retrato das coisas com que sonhei´. Ele sonha com os demônios e as feras, a guerra, o apocalipse, a morte; não sabe explicar seus pesadelos senão com imagens que esculpe. Uma das qualidades essenciais de sua escultura é a sinceridade. Na sua simplicidade e ingenuidade, pode colocar-se como um dos eleitos, um dos que se deixaram possuir pelo fogo sagrado; intérprete da ´vontade de Deus´, ele transpõe para os planos terrenos a Sua vontade, fazendo dela sua mais alta inspiração. (FROTA, Lélia Coelho, p. 97)


 


Em 1967, GTO realizou uma exposição individual na Galeria Guignard, em Belo Horizonte e fez outras em Divinópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, inclusive apresentou suas obras em uma coletiva no hotel Copacabana Palace. Três anos depois, conquistou o prémio 2s Salão de Arte Contemporânea, participou da Bienal de Formas Humanas do Museu Rodin em Paris no ano de 1974 e teve uma sala especial para suas obras um ano depois na 13s Bienal Internacional de São Paulo. No decorrer da sua vida, foi conhecido internacionalmente, indo em bienais na Itália, homenageado em cidades brasileiras, no Rio de Janeiro e em Divinópolis, onde ele faleceu em 1990.




Suas obras se inspiram nas festas religiosas populares, representam danças do interior de Minas Gerais, vinculadas a magia. Seus traços e formas de esculpir influenciou diversos outros artistas de Divinópolis.

Exposições Individuais

1967 - Belo Horizonte MG - Individual, na Galeria Guignard
1968 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Copacabana Palace
1987 - Rio de Janeiro RJ - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico
1987 - Divinópolis MG - GTO: vinte anos de sonhos, no Museu Histórico

Exposições Coletivas

1968 - Belo Horizonte MG - A Arte Ingênua
1969 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Arte Contemporânea
1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1970 - Belo Horizonte MG - 2º Salão de Arte Contemporânea - prêmio aquisição
1970 - Belo Horizonte MG - O Processo Evolutivo da Arte em Minas, no Palácio das Artes
1970 - São Paulo SP - Pré-Bienal de São Paulo, na Fundação Bienal
1972 - São Paulo SP - Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio
1973 - Bruxelas (Bélgica) - Brasil Export 73
1974 - Paris (França) - Bienale Formes Humaines, no Museu Rodin
1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Iemanjá
1974 - Paris (França) - Coletiva, na Galeria Montparnasse
1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1977 - Belo Horizonte MG - 5º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1977 - Brasília DF - 5º Salão Global de Inverno
1977 - Lagos (Nigéria) - 2º Festival Mundial e Africano de Arte e Cultura Negra
1977 - Rio de Janeiro RJ - 5º Salão Global de Inverno, no MNBA
1977 - São Paulo SP - 5º Salão Global de Inverno, no Masp
1978 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Plásticas do Conselho Estadual de Cultura, no Palácio das Artes
1978 - Veneza (Itália) - 42ª Bienal de Veneza
1979 - Belo Horizonte MG - 6º Salão Global de Inverno, na Fundação Clóvis Salgado. Companhia de Dança de Minas Gerais
1979 - São Paulo SP - Bienal Latino-Americana Mitos e Magia
1981 - Belo Horizonte MG - 8º Salão Global de Inverno, na Fundação Palácio das Artes
1981 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP
1981 - São Paulo SP - 16º Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1981 - São Paulo SP - 8º Salão Global de Inverno, no MAM/SP
1982 - São Paulo SP - Um Século de Escultura no Brasil, no Masp
1984 - Belo Horizonte MG - 1º Salão de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, na Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes
1985 - São Paulo SP - Art Brut, no hall do Cine Metrópole Gaumont
1986 - Rio de Janeiro RJ - Arte em Madeira, no Museu do Folclore
1987 - Belo Horizonte MG - 1º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas
1988 - Belo Horizonte MG - 2º Madeira à Moda Mineira, na Galeria Trem de Minas
1990 - Rio de Janeiro RJ - Exposição patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce

Exposições Póstumas

1993 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA
1995 - Belo Horizonte MG - Os Herdeiros da Noite: fragmentos do imaginário negro, no Centro de Cultura de Belo Horizonte
1995 - Belo Horizonte MG - Cinco Anos sem Novos Sonhos de GTO, na Galeria Paulo Campos Guimarães
2001 - Nova York (Estados Unidos) - Brazil: body and soul, no Solomon R. Guggenheim Museum
2001 - São Paulo SP - Expressão Popular, no Centro Cultural Light
2002 - São Paulo SP - Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte, no CCBB
2004 - São Paulo SP - Forma, Cor e Expressão: uma coleção de arte brasileira, na Estação São Paulo
2004 - Rio de Janeiro RJ - Brasil: 100 anos de arte moderna, no MNBA

 

Texto por: Rafaela Teixeira 

REFERÊNCIAS:

 

GTO. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10014/gto>. Acesso em: 20 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7. Acesso em: 15 de mar. de 2021.

 

C/ARTE. Galeria. GTO. PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1969. Disponível em:
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1966&cd_item=1&cd_idioma=28555. Acesso em: 16 de mar. de 2021




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A ALDEIA PATAXÓ MUÃ MIMATXI

  O povo Pataxó (Pataxoop), é um dos povos indígenas mais famosos do Brasil, principalmente pelo fato de serem conhecidos como um dos primeiros grupos a terem contato com os portugueses que aqui chegaram no começo do século XVI. Historicamente, todo o povo Pataxó se concentrava no extremo sul da Bahia, mas após o episódio conhecido como “Fogo de 51”, onde houve um massacre na aldeia matriz Pataxó de Barra Velha, localizada perto de Porto Seguro-BA, houve uma diáspora do povo Pataxó, onde parte migrou para outras regiões da Bahia e também para Minas Gerais. Foi através deste contexto onde surgiu a aldeia indígena “Muâ Mimatxi”, localizada em Itapecerica-MG. Esta tribo surgiu a partir da difusão de uma aldeia indígena Pataxó localizada em Carmésia-MG, onde após essa difusão, parte desta tribo foi assentada em um território próximo a Lamounier (distrito de Itapecerica) no ano de 2006, este espaço foi concedido por mediação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Atualmente, vivem c...

História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

                 A História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está intimamente ligada à história do Reinado e à história da população negra divinopolitana.                Construída na década de 1850 por e para escravizados, a igreja tinha como principal objetivo ser um local em que os cativos pudessem professar seus credos e crenças e celebrar a festa do Reinado. Fruto da intolerância religiosa e do racismo do século XIX, a igreja se tornou um símbolo da resistência dos escravizados divinopolitanos e de seus descendentes, bem como o principal ponto de encontro e festejo da festividade.                Sua construção está ligada à influência do então vigário da cidade, o padre Guaritá. Conforme aponta Corgozinho (2003), insatisfeito com o fato de os escravizados dançarem na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo enquanto celebravam...

A HISTÓRIA DE MINAS EM MAPAS

  A história de Minas Gerais já está bem consolidada na sociedade brasileira e principalmente entre os mineiros, períodos históricos como o ciclo do ouro fazem parte de capítulos de livros didáticos, artigos, produções audiovisuais etc. Mas algo que passa despercebido diante dessa história tão vasta são os mapas que representavam o território de Minas Gerais nessas épocas. Quando olhamos o mapa de Minas e nos deparamos com uma grande porção de terra anexado a um “nariz” a oeste, temos a impressão que desde o período colonial já era um território bem consolidado devido a geografia de suas fronteiras territoriais naturais. Fato é que a representação de Minas em mapas sofreu diversas mudanças ao longo dos anos, sempre como um reflexo político e econômico de Minas Gerais ao longo dos séculos. Nos séculos XVI e XVII, não houve nenhum mapa destacando o território onde hoje conhecemos como Minas Gerais, pelo fato do eixo econômico e demográfico do Brasil estar concentrado no litoral, a...